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      <title><![CDATA[Teólogos Bizantinos - splaghynia.com]]></title>
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      <pubDate>Thu, 11 Feb 2010 10:43:00 +0100</pubDate>
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         <title><![CDATA[“A Igreja precisa de uma reforma urgente”, afirma jesuíta egípcio em carta dirigida a Bento XVI]]></title>
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         <description><![CDATA[O jesuíta egípcio mais destacado nos âmbitos eclesial e intelectual, Henri Boulad, lança um SOS para a Igreja de hoje em uma carta dirigida a Bento XVI. A carta foi transmitida através da Nunciatura no Cairo. O texto circula em meios eclesiais de todo o mundo.&#160;
Henri Boulad é autor de Deus e o mistério do tempo (Edições Loyola, 2006) e O homem diante da liberdade (Edições Loyola, 1994), entre outros.&#160;
A carta está publicada no sítio Religión Digital, 31-01-2010. A tradução é do...]]></description>
         <pubDate>Thu, 11 Feb 2010 10:43:00 +0100</pubDate>
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         <category>Teólogos Bizantinos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p>O jesuíta egípcio mais destacado nos âmbitos eclesial e intelectual, <strong>Henri Boulad</strong>, lança um SOS para a Igreja de hoje em uma carta dirigida a <strong>Bento XVI</strong>. A carta foi transmitida através da <strong>Nunciatura no Cairo</strong>. O texto circula em meios eclesiais de todo o mundo.&#160;</p>
<p><strong>Henri Boulad</strong> é autor de <strong><i>Deus e o mistério do tempo</i></strong> (Edições Loyola, 2006) e <strong><i>O homem diante da liberdade</i></strong> (Edições Loyola, 1994), entre outros.&#160;</p>
<p>A carta está publicada no sítio <strong>Religión Digital</strong>, 31-01-2010. A tradução é do <strong>Cepat</strong>.</p>
<p><strong>Eis a carta.</strong> </p>
<p>Santo Padre:&#160;</p>
<p>Atrevo-me a dirigir-me diretamente a Você, pois meu coração sangra ao ver o abismo em que a nossa Igreja está se precipitando. Saberá desculpar a minha franqueza filial, inspirada simultaneamente pela “liberdade dos filhos de Deus” a que São Paulo nos convida e pelo amor apaixonado à Igreja.&#160;</p>
<p>Agradecer-lhe-ei também que saiba desculpar o tom alarmista desta carta, pois creio que “são menos cinco” e que a situação não pode esperar mais.&#160;</p>
<p>Permite-me, em primeiro lugar, apresentar-me. Sou jesuíta egípcio-libanês do rito melquita e logo farei 78 anos. Há três anos sou reitor do Colégio dos jesuítas no Cairo, após ter desempenhado os seguintes cargos: superior dos jesuítas em Alexandria, superior regional dos jesuítas do Egito, professor de Teologia no Cairo, diretor da Cáritas - Egito e vice-presidente da Cáritas Internacional para o Oriente Médio e a África do Norte.&#160;</p>
<p>Conheço muito bem a hierarquia católica do Egito por ter participado durante muitos anos de suas reuniões como <strong>Presidente dos Superiores Religiosos de Institutos</strong> no Egito. Tenho relações muito próximas com cada um deles, alguns dos quais são ex-alunos meus. Por outro lado, conheço pessoalmente o <strong>Papa Chenouda III</strong>, que via com frequência. Quanto à hierarquia católica da Europa, tive a ocasião de me encontrar pessoalmente muitas vezes com alguns de seus membros, como o <strong>cardeal Koening</strong>, o <strong>cardeal Schönborn</strong>, o <strong>cardeal Martini</strong>, o <strong>cardeal</strong> <strong>Daneels</strong>, o arcebispo <strong>Kothgasser</strong>, os bispos diocesanos <strong>Kapellari</strong> e <strong>Küng</strong>, os demais bispos austríacos e outros bispos de outros países europeus. Estes encontros se produzem por ocasião das minhas viagens anuais para dar conferências pela Europa: Áustria, Alemanha, Suíça, Hungria, França, Bélgica... Nestas ocasiões me dirijo a auditórios muito diversos e à mídia (jornais, rádios, televisões...). Faço o mesmo no Egito e no Oriente Próximo.&#160;</p>
<p>Visitei cerca de 50 países nos quatro continentes e publiquei cerca de 30 livros em aproximadamente 15 línguas, sobretudo em francês, árabe, húngaro e alemão. Dos 13 livros nesta língua, talvez Você tenha lido <strong>Gottessöhne,</strong> <strong>Gottestöchter</strong> (Filhos, filhas de Deus), que o seu amigo o <strong>Pe. Erich Fink</strong>, da Baviera, lhe fez chegar a suas mãos.&#160;</p>
<p>Não digo isto para me vangloriar, mas para lhe dizer simplesmente que as minhas intenções se fundam em um conhecimento real da Igreja universal e de sua situação atual, em 2009.&#160;</p>
<p>Volto ao motivo desta carta e tentarei ser o mais breve, claro e objetivo possível. Em primeiro lugar, algumas constatações (a lista não é exclusiva):&#160;</p>
<p>1. A prática religiosa está em constante declive. Um número cada vez mais reduzido de pessoas da terceira idade, que desaparecerão logo, são as que frequentam as igrejas da Europa e do Canadá. Não resta outro remédio senão fechar estas igrejas ou transformá-las em museus, mesquitas, clubes ou bibliotecas municipais, como já se está fazendo. O que me surpreende é que muitas delas estão sendo completamente reformadas e modernizadas mediante grandes gastos com a ideia de atrair os fiéis. Mas não será suficiente para frear o êxodo.&#160;</p>
<p>2. Seminários e noviciados se esvaziam no mesmo ritmo, e as vocações caem vertiginosamente. O futuro é sombrio e há quem se pergunte quem irá substituir os sacerdotes. Cada vez mais paróquias europeias estão a cargo de sacerdotes da Ásia ou da África.&#160;</p>
<p>3. Muitos sacerdotes abandonam o sacerdócio e os poucos que ainda o exercem – cuja idade média ultrapassa muitas vezes a da aposentadoria – têm que se encarregar de muitas paróquias, de modo expeditivo e administrativo. Muitos deles, tanto na Europa como no Terceiro Mundo, vivem em concubinato à vista de seus fiéis, que normalmente os aceitam, e de seu bispo, que não pode aceitá-lo, mas que tem em conta a escassez de sacerdotes.&#160;</p>
<p>4. A linguagem da Igreja é obsoleta, anacrônica, chata, repetitiva, moralizante, totalmente desadaptada à nossa época. Não se trata em absoluto de acomodar-se nem de fazer demagogia, pois a mensagem do Evangelho deve ser apresentada em toda a sua crueza e exigência. Seria preciso antes promover essa “nova evangelização”, a que nos convidava <strong>João Paulo II</strong>. Mas esta, ao contrário do que muitos pensam, não consiste em absoluto em repetir a antiga, que já não diz mais nada, mas em inovar, inventar uma nova linguagem que expresse a fé de modo apropriado e que tenha significado para o homem de hoje.&#160;</p>
<p>5. Isto não poderá ser feito senão mediante uma renovação em profundidade da teologia e da catequese, que deveriam ser repensadas e reformuladas totalmente. Um sacerdote e religioso alemão que encontrei recentemente me dizia que a palavra “mística” não é mencionada uma única vez no <strong>Novo Catecismo</strong>. Não podia acreditar nisso. Temos de constatar que a nossa fé é muito cerebral, abstrata, dogmática e se dirige muito pouco ao coração e ao corpo.&#160;</p>
<p>6. Em consequência, um grande número de cristãos se volta para as religiões da Ásia, as seitas, a nova era, as igrejas evangélicas, o ocultismo, etc. Não é de estranhar. Vão buscar em outros lugares o alimento que não encontram em casa, têm a impressão de que lhes damos pedras como se fossem pão. A fé cristã, que em outro tempo outorgava sentido à vida das pessoas, é para elas hoje um enigma, restos de um passado que acabou.&#160;</p>
<p>7. No plano moral e ético, os ditames do Magistério, repetidos à saciedade, sobre o matrimônio, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, o matrimônio dos sacerdotes, as segundas uniões, etc., já não dizem mais nada a ninguém e produzem apenas desleixo e indiferença. Todos estes problemas morais e pastorais merecem algo mais que declarações categóricas. Necessitam de um tratamento pastoral, sociológico, psicológico e humano... em uma linha mais evangélica.&#160;</p>
<p>8. A Igreja católica, que foi a grande educadora da Europa durante séculos, parece esquecer que a Europa chegou à sua maturidade. A nossa Europa adulta não quer ser tratada como menor de idade. O estilo paternalista de uma Igreja “Mater et Magistra” está definitivamente defasada e já não serve mais. Os cristãos aprenderam a pensar por si mesmos e não estão dispostos a engolir qualquer coisa.&#160;</p>
<p>9. Os países mais católicos de antes – a França, “primogênita da Igreja”, ou o Canadá francês ultra-católico – deram uma guinada de 180º e caíram no ateísmo, no anticlericalismo, no agnosticismo, na indiferença. No caso de outros países europeus, o processo está em marcha. Pode-se constatar que quanto mais dominado e protegido pela Igreja esteve um povo no passado, mais forte é a reação contra ela.&#160;</p>
<p>10. O diálogo com as outras igrejas e religiões está em preocupante retrocesso hoje. Os grandes progressos realizados há meio século estão sob suspeita neste momento.&#160;</p>
<p>Diante desta constatação quase demolidora, a reação da igreja é dupla:&#160;</p>
<p>– Tende a minimizar a gravidade da situação e a consolar-se constatando certo dinamismo em sua facção mais tradicional e nos países do Terceiro Mundo.&#160;</p>
<p>– Apela para a confiança no Senhor, que a sustentou durante 20 séculos e será capaz de ajudá-la a superar esta nova crise, como o fez nas precedentes. Por acaso, não tem promessas de vida eterna?&#160;</p>
<p>A isto respondo:&#160;</p>
<p>– Não é apoiando-se no passado nem recolhendo suas migalhas que se resolverão os problemas de hoje e de amanhã.&#160;</p>
<p>– A aparente vitalidade das Igrejas do Terceiro Mundo é equívoca. Segundo parece, estas novas Igrejas, mais cedo ou mais tarde, atravessarão as mesmas crises que a velha cristandade europeia conheceu.&#160;</p>
<p>– A Modernidade é irreversível, e é por ter esquecido isso que a Igreja já se encontra hoje em semelhante crise. O Vaticano II tentou recuperar quatro séculos de atraso, mas tem-se a impressão de que a Igreja está fechando lentamente as portas que se abriram então, e é tentada a voltar para <strong>Trento</strong> e o <strong>Vaticano</strong> <strong>I</strong>, mais que voltar-se para o <strong>Vaticano III</strong>. Recordemos a declaração de <strong>João Paulo II</strong> tantas vezes repetida: “Não há alternativa para o <strong>Vaticano II</strong>”.&#160;</p>
<p>– Até quando continuaremos jogando a política do avestruz e a esconder a cabeça na areia? Até quando evitaremos olhar as coisas de frente? Até quando seguiremos dando as costas, encrespando-nos contra toda crítica, em vez de ver ali uma oportunidade de renovação? Até quando continuaremos postergando <em>ad calendas</em> <em>graecas</em> uma reforma que se impõe e que foi abandonada durante muito tempo?&#160;</p>
<p>– Somente olhando decididamente para frente e não para trás a Igreja cumprirá sua missão de ser “luz do mundo, sal da terra e fermento na massa”. Entretanto, o que infelizmente constatamos hoje é que a Igreja está no final da fila da nossa época, depois de ter sido a locomotiva durante séculos.&#160;</p>
<p>– Repito o que dizia no começo desta carta: “São menos cinco” – fünf vor zwölf! A História não espera, sobretudo em nossa época, em que o ritmo se embala e se acelera.&#160;</p>
<p>– Qualquer operação comercial que constata um déficit ou disfunção se reconsidera imediatamente, reúne especialistas, procura recuperar-se, mobiliza todas as suas energias para superar a crise.&#160;</p>
<p>– Por que a Igreja não faz algo semelhante? Por que não mobiliza todas as suas forças vivas para um <i>aggiornamento</i> radical? Por quê?&#160;</p>
<p>– Por preguiça, desleixo, orgulho, falta de imaginação, de criativadade, omissão culpável, na esperança de que o Senhor as resolverá e que a Igreja conheceu outras crises no passado?&#160;</p>
<p>– Cristo, no Evangelho, nos alerta: “Os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz...”.&#160;</p>
<p>Então, o que fazer? A Igreja tem hoje uma necessidade imperiosa e urgente de uma tripla reforma:&#160;</p>
<p>1. Uma <strong>reforma teológica e catequética</strong> para repensar a fé e reformulá-la de modo coerente para os nossos contemporâneos.&#160;</p>
<p>Uma fé que já não significa nada, que não dá sentido à existência, não é mais que um adorno, uma superestrutura inútil que cai por si mesma. É o caso atual.&#160;</p>
<p>2. Uma <strong>reforma pastoral</strong> para repensar de cabo a rabo as estruturas herdadas do passado.&#160;</p>
<p>3. Uma <strong>reforma espiritual</strong> para revitalizar a mística e repensar os sacramentos com vistas a dar-lhes uma dimensão existencial e articulá-los com a vida.&#160;</p>
<p>Teria muito a dizer sobre isto. A Igreja de hoje é muito formal, muito formalista. Tem-se a impressão de que a instituição asfixia o carisma e que o que em última instância conta é uma estabilidade puramente exterior, uma honestidade superficial, certa fachada. Não corremos o risco de que um dia Jesus nos trate de “sepulcros caiados”?&#160;</p>
<p>Para terminar, sugiro a convocação de um <strong>Sínodo</strong> geral a nível da Igreja universal, do qual participarão todos os cristãos – católicos e outros – para examinar com toda franqueza e clareza os pontos assinalados anteriormente e os que forem propostos. Este Sínodo, que duraria três anos, terminaria com uma <strong>Assembleia Geral</strong> – evitemos o termo “concílio” – que sintetizasse os resultados desta pesquisa e tirasse daí as conclusões.&#160;</p>
<p>Termino, Santo Padre, pedindo-lhe perdão pela minha franqueza e audácia e solicito a vossa paternal bênção. Permita-me também dizer-lhe que vivo estes dias em sua companhia, graças ao seu extraordinário livro <strong>Jesus de</strong> <strong>Nazaré</strong>, que é objeto da minha leitura espiritual e de meditação cotidiana.&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p>Seu afetíssimo no Senhor,<br />
<strong>Pe. Henri Boulad, SJ</strong><b><br />
</b><font color="#0000ff"><u><a href="mailto:henrioulad@yahoo.com">henrioulad@yahoo.com</a></u></font></p>]]></content:encoded>
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         <title><![CDATA[Paul Evdokimov]]></title>
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"O Oriente nunca teve simpatia para com as "Sumas teológicas" nem para com os sistemas escolásticos. Toda formulação ou definição excessiva provoca desconfiança espontânea. É convicção inata, que vem dos Padres da Igreja, que não é bom especular sobre os mistérios; vale mais contempla-los e deixar-se iluminar, penetrar por sua luz. Não racionalizado, o mistério torna-se iluminador. Donde um tipo de espiritualidade muito mais litúrgica e iconográfica que discursiva e doutrinária. Por isso, o...]]></description>
         <pubDate>Fri, 01 Jan 2010 00:00:00 +0100</pubDate>
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         <category>Teólogos Bizantinos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://files.splaghynia.webnode.com/200001867-11b2a12ac8/Jesus1.jpg" style="width: 300px; height: 225px;" alt="" /></p>
<p align="justify">"O Oriente nunca teve simpatia para com as "Sumas teológicas" nem para com os sistemas escolásticos. Toda formulação ou definição excessiva provoca desconfiança espontânea. É convicção inata, que vem dos Padres da Igreja, que não é bom especular sobre os mistérios; vale mais contempla-los e deixar-se iluminar, penetrar por sua luz. Não racionalizado, o mistério torna-se iluminador. Donde um tipo de espiritualidade muito mais litúrgica e iconográfica que discursiva e doutrinária. Por isso, o estrito necessário dos dogmas nunca é separado da liturgia nem a palavra, da vida. Os concílios formularam os dogmas como um canto de louvor, com forma de doxologia, para que possam entrar facilmente na própria trama da liturgia. Assim a "Trindade consubstancial e indivisível", o hino do "Filho Unigênito”, o credo; ao mesmo tempo, os dogmas, erguem-se em contemplação sobre os ícones das festas litúrgicas. A Igreja santifica e reza mais do que ensina e formula".</p>
<p style="text-align: right;"><br />
<b>(Cristo, no pensamento russo de Paul Evdokimov)</b></p>]]></content:encoded>
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