Ο ΛΟΓΟΣ ΓΑΡ Ο ΤΟΥ ΣΤΑΥΡΟΥ ΜΩΡΙΑ ΕΣΤΙΝ

O Martírio da Obediência

É Cristo o modelo da obediência completa, porque a sua obediência o conduziu até a cruz e através disso, no cumprimento da vontade do Pai, que ele realizou a salvação dos homens. Freqüentemente a obediência exige daquele que a escolhe um sacrifício pode conduzi-lo até a morte (cf Fil 2, 8). Na Escada do Paraíso, João Clímaco diz que o monge não morre sozinho porque professa o nome de Cristo, mas também porque observa fielmente as regras (A Escada 4, schólion 13).

Urge, porém, estar atentos a não exagerar este aspecto doloroso da obediência. Os monges que “morrem todos os dias em sua vontade”, enquanto a sua vida física chega freqüentemente a viver até cem anos ou mais. E, em geral, estavam dispostos a confessar que uma vida tal, embora o “martírio da obediência”, possui algo de fácil e de tranqüilo.

José de Volokolamsk, destacando-se entre os numerosos autores, propõe tal observação: os eremitas e os nômades (chamados giróvagos) se esforçam por observar os mandamentos de Deus e com freqüência é a vontade própria a conduzir-lhes, enquanto aqueles que vivem submetidos a autoridade de um superior estão mais seguros em conhecer e cumprir a vontade de Deus. Tais vivem como no paraíso, na serenidade e sem o medo da morte. E no final, mesmo tendo levado uma vida menos difícil, recebem uma recompensa maior.

Diversos tipos de obediência – O desejo de cumprir a vontade Deus é a primeira condição da obediência. Os ascetas impulsionam o amor da vontade de Deus assim tão longe que no campo no qual eles poderiam escapar – aquele da iniciativa pessoal – desejam ter a certeza de não falhar neste princípio. O grande problema que se lhes põe é o seguinte: onde se mostra a vontade de Deus? O mistério da obediência é ligado ao mistério da vida evangélica e implica todos os aspectos da verdade revelada. Mas pode-se acreditar que um só homem possa ter a visão sintética da fé? Não é necessário aceitar, entretanto que, entre as diversas palavras de Deus, em certos casos concretos, alguém acolhe uma melhor do que o outro? Um encontra Deus na sua providência, outro na voz do seu coração, um terceiro através dos conselhos de seu pai espiritual, e assim por diante.

A voz de Deus na providência – O Deus no qual nós cremos é um Pai que vigia sobre as suas criaturas e provê a suas necessidades (cf Jó 10, 12). Tal providência se manifesta, sobretudo na história e nos seus eventos. O sábio salmista convida, portanto o crente a ter confiança no seu Senhor e a agir bem (cf Sl 37, 3). Em certos livros modernos fala-se de uma obediência “ativa” e “passiva”, distinção que corresponderia praticamente aos termos gregos de hypakoí e hypomoní (paciência). O primeiro indica obediência como escuta da palavra explicitamente pronunciada. O outro evoca esta obediência que consiste em permanecer nas condições nas quais Deus nos coloca, ao submeter-nos a sua vontade que se expressa através dos eventos, que nós não escolhemos. “Acolherás como dádivas os acontecimentos que te acontecem – diz a Didaché, recebe-os como um bem, porque nada se realiza sem Deus”. Para cristão trata-se de permanecer fiéis a Deus, de aceitar a sua vontade, mesmo se pareça dor, sofrimento, martírio. Abas Cóprio diz: “Bem aventurado quem sustém a fadiga dando graças”. Este vive uma espécie de martírio espiritual. João Clímaco afirma que a paciência e a constância nas tribulações fazem sim que o monge seja “já morto antes de ir para o túmulo”. Por tal razão, a expressão “obediência passiva” não é muito oportuna. A obediência, ao contrário, exige sempre um esforço “ativo” para compreender aquilo que os eventos desejam afirmar: a “contemplação da providência” é uma atitude ativa. É, sobretudo em seu primeiro chamado que os monges reconheciam que a voz de Deus havia-lhes falado naquilo que havia acontecido em sua vida e que Deus, para salvar-lhes, havia-lhes dado um “sinal”. Saber interpretar de maneira justa um sinal é um dom espiritual de profecia. A voz divina que se manifesta ao externo deve ser acolhida no coração: tal acolhida é, assim repetimos, ativa”

(O Monaquismo segundo a tradição do Oriente cristão – Cardeal Tomas Spidlik).

"Adoramos Vossa cruz, Senhor, e glorificamos vossa Santa Ressurreição" © 2008 Todos os direitos reservados.

Loja online grátis