OCORRIDO EM QATAR DE 19.10.2009 A 21.10.2009
Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio
Senhores Presidentes dos Conselhos de Nossas Igrejas Greco- Melquitas no Brasil,
Membros participantes das Nossas Comunidades,
Queridos Irmãos e Irmãs!
A presença de Nossa Igreja Católica Apostólica Greco- Melquita, neste encontro ocorrido em Qatar, nos dias 19.10.2009 a 21.10.2009, contou também com a participação de sua Beatitude nosso Patriarca Gregório III.
Nossas intervenções objetivaram garantir que a Nossa Igreja Católica continuará a participar nas reflexões e nos compromissos da União e da Solidariedade entre os Filhos de Deus das Diversas Religiões, mobilizando nossa força, que é em primeiro lugar de Natureza Espiritual, para contribuir para o bem do homem em todas as dimensões do seu ser.
De modo convincente, proferimos palavras, para que projetos e sugestões, delineados neste encontro, mobilizassem as energias de governantes políticos e lideres religiosos, para que sejam reconhecidos, em toda a parte, os direitos do homem a viver sua dignidade, e ser respeitado, porque todos partimos de uma mesma origem, o que nos torna a todos, irmãos.
Construir a Paz, e manter Harmonia num mundo de diversidades religiosas, trata-se de uma obra imensa e de grande alcance, que deve enfrentar todas as espécies de situações novas que é preciso compreender, e problemas concretos que temos que resolver, com muita disposição de Bem querer.
Por isso, nada melhor que a convivência dos lideres religiosos, dialogando juntos no mesmo lugar. A descoberta do Outro, o respeito às verdades alheias, impõem a necessidade de sermos melhores enquanto Homens, Filhos de uma mesma origem, Irmãos de um mesmo lugar.
Antes de apresentar alguns pontos salientes, permita-me, agradecer a hospitalidade de nossos irmãos Muçulmanos em Qatar e aos membros da Organização desse encontro. Apreciando a atenção dedicada ao tema da Solidariedade na Defesa das Liberdades Religiosas, a Realização da Unidade para uma Humanidade mais Justa, e à ênfase dada a Confiança mútua que deve ser cultivada nos corações e mentes de Judeus, Cristãos e Muçulmanos, certamente foi uma contribuição importante para o desenvolvimento social em certas regiões dos 54 países representados.
A minha participação foi para declarar, em primeiro lugar, a questão do Direito a Liberdade Religiosa, que nos impõe considerar que se trata de uma exigência moral, simultaneamente com a do respeito do homem e da sua dignidade intrínseca. A Impossibilidade de negar que é a partir do Amor e do Perdão, que se desenvolve o respeito, e que conviver como Irmãos do Mundo contribui em grande medida para melhorar as condições do respeito na vida de cada homem. Por isso, minha argumentação estrutura-se no fato de que a religião é uma experiência individual, pessoal e intima de cada ser com Deus.
Mas nós, hoje, encontramo-nos perante uma nova situação, na qual o homem pode ou poderá pôr em jogo o destino de toda a sua espécie: o homem afirma que deseja curar e levar até ao momento da sua morte uma vida digna da sua humanidade mas, por outro lado, nós sabemos bem que o afastamento da comunhão com Deus, está em ordem crescente. Privando o homem de conhecer e praticar o Amor ao próximo, priva o homem dos seu direito de ser feliz. Muito mais, é preciso que o homem seja e permaneça um homem, levando uma vida "humana" e falecendo com uma morte "humana". Morrer não é mal. Mal é morrer afastados de Deus, afastados do Amor, afastados de sentido da nossa existência.
Por conseguinte, torna-se evidente que o aspecto biológico é unicamente uma das dimensões do nosso ser, e limitar o homem a esta dimensão seria como praticar uma mutilação.
Um problema concreto muito discutido é o da articulação da liberdade e da justiça. A liberdade sem justiça, sabemos que nada mais é do que o desencadeamento dos interesses particu-lares de poucos. E a justiça sem liberdade é apenas uma justiça formal, a dos totalitarismos e das ditaduras de todos os tipos. Por conseguinte, é necessário promover medidas comuns, entre os povos de culturas e credos distintos, para equilibrara os concei-tos universais de liberdade e a justiça.
De fato, o homem sem liberdade ou o homem sem justiça é tão mutilado como o homem limitado à realidade biológica do seu corpo. Mais uma vez, toda uma dimensão do seu ser, que se pode qualificar como espiritual, é negada. Desprovido de líber-dade e de justiça, o homem já não é verdadeiramente homem: é alienado. Por isso, compartilhar e discutir a necessidade de desenvolvimento espiritual para a realização da Solidariedade no mundo, pareceu-me o ponto mais importante, o qual dediquei minhas palavras e minhas ações.
Este encontro foi abençoado por Deus, porque permitiu que pudéssemos nos responder: Pode o homem viver humanamente se lhe é impossível dizer a verdade? Alguns dizem que o conceito de consentimento poderia substituir o de verdade ou é seu equivalente. Outros defendem que a opinião verdadeira seria a que prevaleceria, ou seria simplesmente a que se pode integrar num sistema reconhecido como válido. Mesmo podendo observar-se que o discurso mudou e que voltam concepções mais ambiciosas da verdade, eu esperei mais. Acreditando que era preciso reafirmar que não há liberdade nem justiça válidas se não se basearem na verdade, nos relacionamentos recíprocos entre os homens e na confiança mútua. Nós somos capazes de procurar e de conhecer a verdade, e esta capacidade faz parte do que há de mais humano em nós, porque põe em jogo a nossa razão e a nossa vontade, e torna-nos capazes de viver segundo o que a nossa consciência nos ensina.
Concluindo amados Irmãos e Irmãs, me foi de valor proferir, que se um homem preza sua cultura e sua Religião, e a possui, e a pratica, certamente, deve estar consciente que Cultura e Religião, devem sempre estar abertas ao Universal, baseadas no desenvolvimento integral do ser e no caráter central da pessoa, devem estar direcionadas a formar o homem em todas as dimensões do seu ser, somático, psíquico, moral, cultural, político e religioso.
Agradeço a amável atenção de todos, que partilham comigo do resultado desses encontros em minha vida Episcopal. Certamente, sinto a necessidade em partilhar cada vez mais minhas atividades com todos, para assim podermos juntos dar passos seguros rumo ao fim último de todos nós.
† Dom Farès Maakaroun,
Arcebispo Da Igreja Católica Apostólica Greco-Melquita no Brasil.
Rev. Arquimandrita Theodoro
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