A Veneração dos Ícones é como parte integrante da Liturgia, à semelhança da celebração da Palavra. Como a leitura dos livros materiais permite a audição da Palavra Viva do Senhor, assim a exposição de um ícone permite àqueles que o contemplam ter acesso aos mistérios da Salvação mediante a vista. "Aquilo que por um lado é manifestado pela tinta e pelo papel, por outro, no ícone, é manifestado pelas várias cores e pelos outros materiais". São João Damasceno.
O filho de Deus, o crente de hoje, como o de ontem, há de ser ajudado na oração e na vida espiritual mediante a visão de ícones que procurem exprimir o Mistério sem nunca o ocultar. É esta a razão pela qual, hoje como no passado, a fé é a indispensável inspiradora da escrita dos Ícones.
Escrever um Ícone pelo Ícone, que não leve a pensar, a refletir, a perceber, a transcender, senão no ícone como obra de arte, sem estabelecer uma relação com o mundo divino, não encontra espaço na concepção cristã do ícone. Seja qual for o estilo que adote, todo o tipo do ícone deve exprimir a fé, a esperança e o amor de Deus ao Homem, e do Homem a Deus. A tradição dos ícones mostra que o iconográfo(a) deve ter consciência de cumprir uma missão a serviço da Igreja: Por isso ele não pode assinar um ícone, portanto a assinatura é da Virgem o do Santo.
O Ícone cristão autêntico é aquele que, através da percepção sensível, leva à intuição de que o Senhor está presente na sua Igreja, na sua Vida, que os acontecimentos da história da Salvação dão sentido e orientação à nossa vida e que a glória que nos está prometida começa já a transformar a nossa existência. O Ícone deve tender a proporcionar-nos uma síntese visual de todas as dimensões da nossa fé. O Ícone deve ter a preocupação de falar a linguagem da Encarnação e exprimir, com os elementos da matéria, Aquele que "se dignou habitar na matéria e realizar a nossa salvação através da matéria", segundo a fórmula feliz de São João Damasceno.
Concluindo, a doutrina definida quanto a legitimidade da veneração dos ícones na Igreja merece uma atenção especial, pela riqueza das suas implicações espirituais.
O Patriarca São Germain de Constantinopla (715-730), Santo André de Creta, São João Damasceno, Georges de Chipre e todos os que haviam, numa época de heresia iconoclasta, escolhido o exílio e a tortura para defender os Santos Ícones, o fizeram em nome do mistério da Encarnação: "Negar que Jesus Cristo seja representado e lembrado em pinturas significa negar que Ele tivesse tido um aspecto corporal, e que o Filho de Deus fosse realmente Filho de Maria. É negar que Deus tenha verdadeiramente visitado a nossa história e que tenha verdadeiramente se unido à nossa humanidade para comunicar-nos sua vida divina."
A importância ao assunto da Tradição não-escrita, constitui para nós católicos, assim como para os nossos irmãos ortodoxos, um convite a percorrermos juntos o caminho da Tradição da Igreja não dividida, para reexaminar à sua luz as divergências, que os longos séculos de separação acentuaram entre nós, e para reencontrar; conforme o que Jesus pediu ao Pai (Jo. 17,11.20-21), a comunhão plena na unidade visível. Afinal, a unidade da Igreja não pode realizar-se a não ser na obediência ao seu único Senhor: Jesus Cristo.
A nossa tradição mais autêntica, de veneração aos Ícones, e que compartilhamos plenamente com os nossos irmãos ortodoxos, ensina-nos que a linguagem da Beleza, posta a serviço da fé, é capaz de atingir o coração dos homens e de os levar a conhecer, a partir de dentro, Aquele que ousamos representar nas imagens, Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, o mesmo, ontem e hoje e por todos os séculos" (Hb. 13,8).
Gloriosa Mãe de Jesus,
que "procedes diante do povo de Deus pelos caminhos da fé,
do amor e da união com Cristo", sê bendita!
Todas as gerações te chamam bem-aventurada,
porque "o Onipotente fez em ti grandes coisas;
é Santo o seu nome" (Lc 1, 48-49).
Sê Bendita e honrada, ó Mãe, nos Vossos Ícones,
no qual há séculos são circundados pela veneração
e pelo amor dos seus filhos e filhas,
tendo tornado protetora e testemunha das maravilhas de Deus
na história das nossas vidas, que por todos nós é tão louvada.
A Providência divina, que tem o poder de vencer o mal
e tirar o bem até das más ações dos homens,
fez com que os Santos Ícones, aparecessem como meio de Vossa Graça.
Em seguida, por vontade de todos nós aqui presentes, vossos filhos e filhas que Lhe são devotos,
acolhemos na Vossa Casa, na Casa do Sucessor de Pedro, Vossos Santos Ícones.
Mãe de Deus,
a presença da Vossa Santa Imagem nos Santos Ícones
fala-nos de uma unidade profunda entre o Oriente e o Ocidente,
que perdura no tempo apesar das divisões
e dos nossos erros.
Elevamos agora com especial intensidade a nossa oração,
ó Virgem, no momento em que veneramos
vossos Santos Ícones.
Veneramos com o coração
pelo caminho que nos levará à santa Sabedoria.
Aceita o louvor e a honra que lhe prestamos
seus filhos necessitados de Amor e nada mais.
Ó bendita entre todas as mulheres,
ao venerar Vossos Santos Ícones
marcados pelo sangue dos Apóstolos Pedro e Paulo,
eu ( Fulano ), uno-me espiritualmente a todos os iconógrafos inspirados pela Fé,
E peço Lhe, Mãe Santa, que intercedas
para que se apresse o tempo da plena unidade
entre o Oriente e o Ocidente,
da plena comunhão entre todos os cristãos.
Ó Virgem gloriosa e bendita,
Senhora, Mãe de Infinita Ternura e nosso Conforto,
reconcilia-nos com o Vosso Filho,
recomenda-nos ao Vosso Filho, apresenta-nos ao Vosso Filho!
Amém. Aleluia!
† Dom Farès Maakaroun, Arcebispo da Igreja Católica Apostólica Greco-Melquita no Brasil
Rev. Arquimandrita Theodoro
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