Fim do Ano Sacerdotal,
e o que ficou gravado em meu Coração e em minha Mente?
Que um verdadeiro Sacerdote, é um Amigo De Deus, logo deve ser um Santo!
Recordemos um dos trechos mais instigantes da República de Platão, quando no final da alegoria da caverna, o filósofo prevê que o homem que volta à caverna, depois de ter visto a realidade de fora, poderia não ser entendido pelos que continuaram na escuridão. Estes considerariam que não valeria a pena sair da caverna, e talvez até tentassem matar aquele que os procurava libertar das ilusões. Esse ódio contra quem vê além é, infelizmente, recorrente na história da humanidade, na história do verdadeiro Sacerdote.
Recentemente, veio-me à cabeça que a previsão de Platão se confirma, no seu essencial, com o que ocorre em relação a alguns Homens Amigos de Deus: os Santos. Detestam-nos porque, de algum modo, percebem que eles são caridosamente superiores. Em outras palavras, o que parece incomodar muita gente nesses amigos de Deus é que eles conseguem atingir a Sabedoria Divina do Amor. E justo os Santos: os amigos de Deus, aqueles que são e serão acusados de denunciar a “ditadura do relativismo”! Afinal proferem a Verdade! Sabem que existe uma Única Verdade!
Quando digo Amigos de Deus, os Santos, não me refiro apenas à erudição, mas a algo bem mais sério. Homens que levam a Vida a sério, Homens que entenderam as coisas como elas são. E entenderam-nas a fundo.
Não basta ser Sacerdote Igual a todos os demais Homens, para ser um Amigo de Deus, um Santo. Não é suficiente ler o que o espírito humano produziu de melhor, não adianta meditar durante horas em busca de uma iluminação… Em certo sentido, ser Amigo de Deus abrange isso e muito mais. Principalmente, exige uma vida moral e espiritual reta, um desprendimento pleno de si mesmo. No fundo, o orgulho é o maior inimigo da verdade dentro de nós, de uma inteligência profunda, ampla e meticulosa. Para ser um Amigo de Deus, é necessário, sobretudo, contar com a ajuda da Graça, pela qual é derramado o dom da sabedoria, essa Imagem e Semelhança com Deus através do Amor e do Perdão.
Acredito ser muito difícil conseguir juntar todas as qualidades necessárias para ser um autêntico Amigo de Deus. Aliás, penso que isso pode ficar sem acontecer por gerações. Nos dias de hoje, não conheço muitos homens que sejam Amigos de Deus, Santos, que possam dissertar sobre os mais variados assuntos com maestria, com simplicidade e profundidade desconcertantes.
A sabedoria de um Autêntico Amigo de Deus, um Santo, se manifesta na visão de conjunto, da qual ele é capaz, e que esclarece o sentido de cada uma das partes, dando a elas um colorido diferente e uma compreensão mais aguda. A extraordinária amplitude com que esses Amigos de Deus, os Santos, examinam os acontecimentos sem prejudicar o próximo, antes os melhoram enquanto pessoas.
Como não recordar as palavras de Nosso Papa Bento XVI:
“"A vida verdadeira é que Te conheçam a Ti – Deus – e o teu Enviado, Jesus Cristo. Com surpresa nossa, é-nos dito que vida é conhecimento. Isto significa, antes de mais nada: vida é relação. Ninguém recebe a vida de si mesmo e só para si mesmo. Recebemo-la do outro, na relação com o outro. Se é uma relação na verdade e no amor, um dar e receber, a mesma dá plenitude à vida, torna-a bela. (…) Na filosofia grega, já existia a ideia de que o homem pode encontrar uma vida eterna, se se agarrar àquilo que é indestrutível – à verdade que é eterna. Deveria, por assim dizer, encher-se de verdade, para trazer em si a substância da eternidade. Mas, somente se a verdade for Pessoa, que pode levar-me através da noite da morte."
Amigos Sacerdotes, Amigos de Deus, só a religião dá significado à vida humana. O mercado, o Estado, a ciência e mesmo a filosofia são incapazes de cumprir esse papel. E o homem anseia por significado. Todo Homem anseia ser guiado por autênticos Amigos de Deus, por Santos!
Amém, Aleluia!
+ Dom Farès Maakaroun.
Rev. Arquimandrita Theodoro
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