Entendendo o porquê de tanto Muçulmano e Protestante no Mundo!
O que leva alguém a seguir um falso profeta (Sheik, ou pastor evangélico) e acreditar em tudo o que ele diz?
Qual é a motivação que está por trás dessa conduta, desse comportamento?
Obviamente, há muitos fatores que influenciam uma pessoa a entrar num regime de obediência cega a um líder religioso, sem questionar o seu testemunho e a sua pregação.
Chamar os evangélicos ou mulçumanos de “fanáticos” me parece uma generalização inócua, vazia, que descamba para o pejorativo quando poderia (ou deveria) ser elucidativo. Banaliza mais do que explica.
Proponho, portanto, algumas razões que me parecem cabíveis numa análise mais aprofundada, para nos exemplificar motivos que podem ser ampliados, numa tentativa de responder nossas perguntas iniciais:
1) Instinto religioso – esta é uma questão ainda muito pouco estudada. O ser humano parece ser naturalmente condicionado a crer num poder superior, e mesmo aqueles que observam a questão do ponto de vista ateu, consideram o instinto religioso como um fator agregador da evolução, que deu aos primeiros ajuntamentos humanos um poder de coesão em torno de objetivos ditados por um ente superior através de seus enviados, o que lhes permitiram enfrentar os inimigos e as adversidades naturais de forma muito mais organizada e competente.
É curioso verificar que até o ateísmo militante pode ser enquadrado numa espécie instinto (a-)religioso, ainda que de seu objetivo seja negar a divindade. Mesmo que a ciência não tenha chegado sequer perto de esclarecer a questão, as pessoas tendem a se comportar de maneira religiosa, e isto as predispõe, de certa forma, a se comportar de maneira submissa diante de uma divindade, o que nos leva ao segundo fator:
2) Temor reverencial – em qualquer religião, toda pessoa que se diz intermediária de uma revelação específica e/ou se apresenta como um canal de comunicação com o divino - enfim, um “sacerdote” de um determinado deus -, assume uma posição de autoridade em relação aos seus seguidores, que estão, de certa forma, predispostos a confiar no seu líder e obedecer as suas determinações sem questioná-las a priori. Há, por assim dizer, uma “aura de divindade” na pessoa do sacerdote, que induz os seus fiéis a uma posição de submissão não só em relação ao ente superior do qual derivam sua autoridade, mas sobretudo quanto a si próprios. Em igrejas evangélicas, por exemplo, que se dizem cristãs, falsos profetas sabem manipular essa confusão para atingir os seus objetivos particulares e, muitas vezes, inconfessáveis.
3) O poder do auto-engano – o ser humano parece ter uma séria tendência ao auto-engano. Cada um de nós pode ver isso presente em nossas vidas fazendo um exercício muito simples: basta lembrar de um episódio trágico ou doloroso que aconteceu há muitos anos. Reparou como a lembrança hoje não dói tanto como efetivamente doeu à época dos fatos? Pois é, a nossa memória trata de “dourar a pílula” e ir pouco a pouco amenizando o fato, bem como a encontrar algum lado positivo, por mínimo que seja, no que aconteceu. Da mesma maneira – em diferente grau, é verdade – nos comportamos com relação aos fatos e às relações atuais. Há um misterioso processo de relativização das coisas, tornando tudo um pouco mais palatável e compreensível. Essa questão parece estar diretamente relacionada com o nosso autônomo instinto de sobrevivência. Seria muito difícil encarar a vida como ela é, os fatos como eles são, nus e crus, de maneira seca e hiper-realista.
Por isso, quando o falso profeta prega algo, que soa mais a uma aberração, seus seguidores tendem a racionalizar o que ele disse e torná-lo, de alguma maneira, mais – digamos – digerível pelo intelecto. O auto-engano é algo tão poderoso que as pessoas fogem até da Bíblia para verificar se o que foi dito é realmente bíblico. Preferem simplesmente se “acostumarem” a elas, nem que para isso precisem repetir verdadeiros mantras evangélicos a si mesmos.
4) O comportamento de manada – o auto-engano pode ser – muitas vezes – coletivo. Por exemplo, diante de algo absurdo que o líder prega, o auto-engano já opera no indivíduo no sentido de amenizar o que ouviu, e ele busca no grupo uma espécie de “confirmação negativa” do seu comportamento, ou seja, ele não quer – verdadeiramente – que o grupo confirme as suas suspeitas de que está sendo enganado, mas o seu inconsciente lhe pergunta: “será que mais ninguém percebeu a barbaridade que eu acabei de ouvir?”. Diante da resposta negativa a essa questão íntima, suas emoções obtêm um alívio temporário e ele se sente – de novo – pertencente a um grupo, sem se dar conta de que muitos outros se fizeram a mesma pergunta, e todos preferiram o conforto ilusório de uma manada que seguirá incondicionalmente o seu líder e todos se atirarão no abismo, se preciso for.
5) A preguiça de pensar;
6) A falta de educação
7) As carências– são 3 fatores que estão intimamente associados. Não é necessária uma detalhada pesquisa estatística para afirmar que existe no ser humano, genericamente considerado, uma tendência ao comodismo e uma aversão à introspecção e ao pensamento crítico. Os fatos falam por si mesmos. São poucos aqueles que se dedicam a questionar a própria existência, o grupo, a sociedade e o mundo em que estão inseridos. Larga parcela da população acha que fazer isso é pura perda de tempo. De qualquer maneira, sempre há uma massa ignara pronta a ser manipulada por líderes religiosos inescrupulosos, e essas pessoas querem melhorar o seu nível social, e aí aberrações - como a teologia da prosperidade - caem como uma luva.
8) Falta de instrução bíblica –Atualmente, esta boa prática não é mais incentivada pela Igreja, que está muito mais próxima da heresia do que da vida reta cristã.
“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento”, diz o Senhor (Oséias 4:6). E “toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16). Os falsos profetas mantêm o povo afastado do estudo bíblico porque sabem que, se conhecerem a verdade, deles se libertarão (João 8:32). Oferecem-lhes como alimento um leite estragado, envenenado pelos seus delírios. “Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal” (Hebreus 5:13-14).
9) O desprezo à ortodoxia – o próprio nome – ortodoxia – já gera uma certa confusão (quando não repulsa), por não se compreender o sentido exato do termo, hoje genericamente associado à tradição oriental da Igreja cristã. Por “ortodoxia” deve ser entendido o conjunto de doutrinas comuns a todos os ramos históricos da Igreja cristã, ou seja, os católicos, os ortodoxos orientais, por se tratar de um período em que a Igreja não estava dividida, quando aconteceram os primeiros concílios (Jerusalém, Nicéia, Constantinopla e Calcedônia), em que as bases fundamentais do cristianismo foram estabelecidas.
10) O bilhete premiado – não se pode esquecer do ser humano individualmente considerado. Muita gente decide seguir falsos profetas porque está obtendo alguma vantagem com isso, seja ela qual for. Tiago (1:14) já dizia que “cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência”. A palavra grega traduzida por “engodado” - δελεάζω - deleazō - significa também “fisgado”. Líderes heréticos se aproveitam desse desejo tipicamente humano de se dar bem, para jogar a sua isca e arregimentar seguidores. Por isso, muita gente, embora não admita, vê a igreja como um negócio, não só para quem a dirige, como também para os seus liderados.
Guardadas as devidas proporções, se assemelha muito com o famoso conto do bilhete premiado, em que um estelionatário se aproveita da cobiça do outro, que se julga esperto, e, fingindo uma ingenuidade bastante conveniente no momento, oferece um bilhete de loteria supostamente premiado porque não tem condições de receber o galardão. O pretenso esperto imediatamente se aproveita da aparente ignorância do coitadinho que tem o bilhete premiado, e o compra por uma quantia bem menor, e quando vai receber o prêmio, vê umas orelhas de burro crescendo instantaneamente na sua cabeça. Tentou se aproveitar da ingenuidade do outro e agora morre de vergonha por ter caído num golpe tão antigo.
Assim são muitos crentes em relação aos falsos profetas que seguem. Estes últimos fingem que estão oferecendo um bilhete premiado, que não é necessariamente o céu, mas um paraíso fictício na Terra, de prosperidade e gozo de bens nesta vida, e seus seguidores se fazem de interessados e solícitos em adquirir o passaporte enquanto lhes convém. O risco é terminar sendo barrado no paraíso verdadeiro.
11) O silêncio dos justos – por muito tempo, os cristãos se calaram diante das aberrações que foram surgindo no seu meio, derivadas de divisões de igreja e falsos profetas oportunistas que começaram a inventar fábulas e revelações particulares para fundarem suas próprias igrejas. Felizmente, este é um procedimento que vem sendo abandonado, só espero que não seja tarde demais.
Amém, Aleluia!
+ Dom Fares Maakaroun
Rev. Arquimandrita Theodoro
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