No princípio desejava um encontro, no próximo dia 29 de abril, com os meus Filhos Misericordiosos da Cruz, infelizmente, por motivo de uma viagem agendada, não poderei estar convosco. Porém, dirijo-vos as palavras de São Paulo aos Coríntios: “Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das Misericórdias e Deus de toda a consolação” (2 Cor 1, 3).
Sei que a Misericórdia, que procuro ao meu íntimo, é sem dúvida também a vossa, derivada da certeza de sermos fielmente acolhidos pela Bondade Divina, mesmo em toda a nossa tribulação. Se Deus e o Seu Amor são para nós a consolação que ninguém nos pode tirar, “ninguém vos poderá tirar a vossa alegria” (Jo 16, 22).
Meus filhos Misericordiosos da Cruz somos todos chamados ao mesmo tempo a alimentar em nós a Misericórdia de modo a fazer que todos participem em tal Amor.
Meus Filhos Misericordiosos da Cruz, para libertar o homem dos próprios temores existenciais, daquelas apreensões e ameaças, para ver cicatrizadas as muitas lacerações pessoais, é necessário que todos dessa Casa, que também se estende a Misericórdia do Senhor cantada pela Virgem Santíssima ( Lc 1, 50), seja revelado “o Mistério do Pai e do Seu Amor”. O homem tem a necessidade íntima de abrir-se à Misericórdia Divina, para se sentir radicalmente compreendido na debilidade da sua natureza ferida; necessita de estar firmemente convencido daquelas palavras a vós queridas, que formam muitas vezes o objeto da vossa reflexão, isto é que Deus é Pai Cheio de Bondade à procura, por todos os meios, de confortar, ajudar e tornar felizes os Próprios Filhos; busca-os e segue-os com Amor incansável, como se Deus não pudesse ser feliz sem eles.
Deste breve pensamento, resulta-me compreender que a vossa vocação parece revestir de um caráter de viva atualidade. É certo que a Igreja durante os séculos, mediante também a obra das várias Ordens e Congregações Religiosas, tem proclamado sempre e professado a Misericórdia Divina, sendo dela administradora solícita no campo sacramental e no das relações fraternas, mas desejaria fazer notar apenas que a vossa especial profissão atinge diretamente o núcleo de tal encargo e habilita-vos a exercitá-la.
Do profundo do meu coração, faço votos que o espírito do vosso Instituto, que traz no seu interior o fervor dos inícios, se exprima sempre numa piedade sólida, numa desinteressada dedicação e num ardente esforço apostólico; como testemunham as Grandiosas Obras de Deus.
Do profundo do meu coração, animo tudo o que é realizado neste Instituto, no campo da assistência e da santificação da nossa Igreja. E não poderia deixar de dizer que tal missão encontra-se também na entrega do Padre, Mons. Theodoro, para cuja realização sempre prestou o seu delicado contributo.
Meus Filhos Misericordiosos da Cruz, permaneçam conscientes da necessidade que tem o homem de encontrar-se com o Amor do Pai das Misericórdias, e se mantenham alegres por estar consagrados à difusão de tal Amor, ofereçam incansavelmente, um testemunho sereno e convincente de caridade fraterna. Afinal, foi Cristo Senhor que se interessou por cada um de vós e vos reuniu aqui, numa Família única, para percorrerem, o mesmo caminho de perfeição, no desempenho da missão do Amor.
Meus Filhos Misericordiosos da Cruz, o encargo de proclamar a Misericórdia do Salvador requer um testemunho probante de união e de mútuo amor misericordioso, como o Próprio Jesus recomendou com a força trágica da Sua última hora: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei” (Jo 15, 12). Esse Amor fraterno é, em si mesmo, prova e evangelização da Misericórdia: “Todos sejam um só... para que o mundo creia que Tu Me enviaste” (Jo 17, 21).
Meus Filhos Misericordiosos da Cruz, este Mosteiro, que foi desejado para exaltar e continuamente celebrar as provas mais requintadas do Amor Misericordioso, considerai-o como ponto constante de referência, berço da vossa vocação, e centro e sinal da vossa particular espiritualidade.
Sendo assim, que este sublime Ministério da Misericórdia, como também toda a vossa aspiração e atividade, os confio a Maria Santíssima, Nossa Venerada Medianeira; invocando-a com fervor , a fim de que deseje maternalmente tornar favorável e apressar para vós o Dom do Seu Filho Jesus e, por outro lado, a vossa plena abertura para com Ele.
Meus bons votos de alegria e de prosperidade, a todos quantos sustentam as vossas iniciativas apostólicas, ao mesmo tempo que a todos e a cada um concedo a Minha Afetuosa Bênção Apostólica.
Feliz Aniversário dos Seis anos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
† Dom Farès Maakaroun
Arcebispo da Igreja Católica Apostólica Greco-Melquita no Brasil
Rev. Arquimandrita Theodoro
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