Ο ΛΟΓΟΣ ΓΑΡ Ο ΤΟΥ ΣΤΑΥΡΟΥ ΜΩΡΙΑ ΕΣΤΙΝ

Quarto Domingo da Quaresma

2010-03-14 22:45

 São Paulo, 14 de Março de 2010

 

Amados filhos e filhas,

 

          Neste período da Quaresma, é necessário que nos aproximemos da Graça e preparemos nossa libertação e ressurreição, com Nosso Senhor Jesus Cristo. Salvador, que nos dá a verdadeira dignidade de filhos de Deus, de Homens  preparados para a Alegria e para a Tristeza, aqui e por toda a eternidade.

          Assim como na passagem do Evangelho, o menino foi libertado do espírito mudo e surdo, porque seu pai professou sua Fé, evoluiu na Fé, naquele exato momento: "eu Creio!" (Mc. 9, 24)

          Nós todos, em Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, que conhece a cada um de nós, deve Libertar-se  e Ressuscitar, tão logo, consiga professar sua Fé, diante de Deus, de si e do próximo.

          Professar nossa Fé significa evoluir nela, fazer desse dom o meio eficaz para nossa Salvação. Aquele que professa a própria Fé, é justamente aquele que está confiante e seguro na Evolução da própria Fé. Do contrário, permanecemos mudos e surdos ao Dom De Deus; que é o Dom da Nossa Fé: "Se podes alguma coisa!...Tudo é possível ao que crê!" (Mc. 9,23)

 

Como Evoluir na nossa Fé, para podermos professar a nossa Fé ?

          Evoluindo espiritualmente e moralmente, travamos uma guerra invisível e constante contra os pensamentos inferiores, baixos, de pouco conteúdo para o Bem, que só atrapalham a nossa vida de Oração.

         Caminhando corajosamente para combater as tentações, tendo o olhar fixo naquela meta luminosa do Amor e do Perdão. Repetindo continuamente em nosso coração a bem-aventurança final, que conclui o Salmo 83: "Senhor dos exércitos, feliz o homem que em vós confia!"

          Sabemos, que São João Clímaco, foi um escritor cristão do século VII, nasceu por volta de 575, e morreu por volta do ano 650, abade do mosteiro do Sinai.  João, chamado Clímaco, transliteração latina do termo grego klímakos, que significa da escada (klímax), dedicou um tratado inteiro A Escada do Paraíso para explicar os numerosos degraus pelos quais a vida espiritual se eleva, e evolui. Descreve a escalada da vida humana para Deus.

No meio das montanhas do Sinai, onde Moisés encontrou Deus e Elias ouviu a sua voz, João viveu e narrou as suas experiências espirituais. Notícias sobre ele estão conservadas numa breve Vida (PG 88, 596-608), escrita pelo monge Daniel de Raito: com 16 anos João, que se tornou monge no monte Sinai, ali fez-se discípulo do abade Martírio, um sábio. Com cerca de vinte anos, escolheu viver como eremita numa gruta no sopé do monte, na localidade de Tola, a oito quilômetros do atual mosteiro de Santa Catarina.

          Porém, a solidão não lhe impediu de encontrar pessoas desejosas de ter uma direção espiritual, assim como de ir visitar alguns mosteiros nos arredores de Alexandria. Com efeito, o seu retiro eremítico, longe de ser uma fuga do mundo e da realidade humana, desabrochou num amor ardente pelo próximo (Vida 5) e a Deus (Vida 7). Depois de quarenta anos de vida eremítica vivida no amor a Deus e ao próximo, anos durante os quais chorou, rezou, lutou contra os demônios, foi nomeado ecúmeno do grande mosteiro do monte Sinai e assim voltou à vida no mosteiro.

          A vida de João desenvolve-se entre duas montanhas, o Sinai e o Tabor, e verdadeiramente pode-se dizer que dele se irradiou a luz vista por Moisés no Sinai e contemplada pelos três Apóstolos no Tabor!

          Tornou-se famoso, como já disse, por obra da Escada (klímax), qualificada no Ocidente como Escada do Paraíso (PG 88, 632-1164).

          A Escada é um tratado completo de vida espiritual, em que João descreve o caminho, desde a renúncia ao mundo até à perfeição do amor. É um caminho que segundo este livro se desenvolve através de trinta degraus, cada um dos quais está ligado ao seguinte. O caminho pode ser resumido em três fases sucessivas: a primeira se expressa na ruptura com o mundo, em vista de voltar ao estado da pureza. Portanto, o essencial não é a ruptura, mas a ligação com aquilo que Jesus disse, ou seja, o regressar à verdadeira pureza em sentido espiritual, o tornar-se como as crianças. João comenta: “Um bom fundamento é formado por três bases e por três colunas: inocência, jejum e castidade. Todos os recém-nascidos em Cristo (1 Cor 3, 1) começam a partir destas coisas, a exemplo daqueles que são recém-nascidos fisicamente” (1,20; 636). O desapego voluntário das pessoas e dos lugares queridos permite à alma entrar em comunhão mais profunda com Deus. Esta renúncia leva à obediência, que é o caminho para a humildade diante das humilhações que nunca faltarão por parte dos irmãos. João comenta: Bem-aventurado aquele que mortificou a sua vontade até ao fim e que confiou o cuidado da própria pessoa ao seu mestre no Senhor: efetivamente, ele será colocado à direita do Crucificado!” (4, 37; 704).

          A segunda fase do caminho é constituída pelo combate espiritual contra as paixões. Cada degrau da escada está ligado a uma paixão principal, que é definida e diagnosticada, com a indicação da terapia e com a proposta da virtude correspondente. Sem dúvida, o conjunto destes degraus constitui o mais importante tratado de estratégia espiritual que possuímos. Porém, a luta contra as paixões reveste-se de positividade não permanece algo negativo graças à imagem do “fogo” do Espírito Santo: “Todos aqueles que empreendem este bom combate (1 Tm 6, 12), duro e árduo [...] saibam que vieram lançar-se num fogo, se verdadeiramente desejam que o fogo imaterial habite neles” (1, 18; 636). O fogo do Espírito Santo, que é fogo do amor e da verdade. Só a força do Espírito Santo assegura a vitória. Mas segundo João Clímaco, é importante tomar consciência de que as paixões não são más em si próprias; tornam-se tais pelo mau uso que a liberdade do homem faz das mesmas. Se forem purificadas, as paixões hão-de abrir para o homem o caminho rumo a Deus com energias unificadas pela ascese e pela graça e, “se elas receberam do Criador uma ordem e um início… o limite da virtude é infinito” (26/2, 37; 1068).

          A última fase do caminho é a perfeição cristã, que se desenvolve nos últimos sete degraus da Escada. Estes são os degraus mais altos da vida espiritual, experimentáveis aqueles que alcançaram a tranqüilidade com o próximo (amigo ou inimigo) e a paz interior diante de Deus.

          Portanto, simplicidade, humildade e discernimento João, considera mais importante a capacidade de discernir. Cada comportamento deve ser submetido ao discernimento; com efeito, tudo depende das motivações profundas, que se devem avaliar. Aqui se entra no coração da pessoa e trata-se de despertar no cristão, a sensibilidade espiritual e o “sentido do coração”, dons de Deus: “Como guia e regra em cada coisa, depois de Deus, temos que seguir a nossa consciência” (26/1, 5; 1013).

          O estado de tranqüilidade com o próximo, de paz interior diante de Deus, prepara o cristão para a oração, que em João é dúplice: a “oração corpórea” e a “oração do coração”. A primeira é própria de quem se deve fazer ajudar por atitudes do corpo: estender as mãos, emitir gemidos, bater ao peito, etc. (15, 26; 900); a segunda é espontânea, porque é efeito do despertar da sensibilidade espiritual, dom de Deus a quem se dedica à oração corpórea. Em João ela adquire o nome de “oração de Jesus”, e é constituída pela invocação exclusiva do nome de Jesus, uma invocação contínua como a respiração: “A memória de Jesus seja uma só com a tua respiração, e então conhecerás a utilidade da oração,” da paz interior (27/2, 26; 1112).

          O último degrau da escada (30), imbuído da “sóbria maturidade do Espírito”, é dedicado à suprema “trindade das virtudes”: a fé, a esperança e sobretudo a caridade. Da caridade, João fala também como Eros (amor humano), figura da união matrimonial da alma com Deus. E ele escolhe ainda a imagem do fogo para expressar o ardor, a luz, a purificação do amor a Deus. A força do amor humano pode ser novamente orientada para Deus, como no olival pode ser enxertado uma boa oliveira (Rm 11, 24) (15, 66; 893). João está convencido de que uma intensa experiência deste Amor Humano faz progredir a alma muito mais que a dura luta contra as paixões, porque o seu poder é grande. Portanto, prevalece a positividade do nosso caminho. Todavia, a caridade é vista também em estreita relação com a esperança: “A força da caridade é a esperança: graças a ela esperamos a recompensa da caridade… A esperança é a porta da caridade… A ausência da esperança aniquila a caridade: a ela estão vinculados os nossos cansaços, por ela são sustentados os nossos esforços e graças a ela somos circundados pela misericórdia de Deus” (30, 16; 1157). A conclusão da Escada contém a síntese da obra, com palavras que o autor faz o próprio Deus proferir: “Esta escada te ensine a disposição espiritual das virtudes. Eu estou no ápice desta escada, como disse aquele meu grande iniciado (São Paulo): Agora subsistem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior delas é a caridade (1 Cor 13, 13)!” (30, 18; 1160).

          Essa Obra de São João Clímaco revela o que é a vida dos batizados, em comunhão com Cristo, com a sua morte e ressurreição. Todo o caminho se orienta para uma realização de fé, esperança e caridade cada vez mais radical. A fé é fundamental, porque tal virtude implica que eu renuncie à minha arrogância, ao meu pensamento; à pretensão de julgar sozinho, sem confiar nos outros. É necessário este caminho para a humildade, para a pureza espiritual. Contudo, é necessário confiar na Sagrada Escritura, na Palavra do Senhor, apresentar-se com humildade ao horizonte da fé, para entrar assim na enorme vastidão do mundo universal, do mundo de Deus. É desse modo que cresce e evolui a nossa alma, que aumenta a sensibilidade do coração a Deus. João Clímaco justamente diz que só a esperança nos torna capazes de viver o Amor.

          Só se existir Deus, esta grande esperança para a qual todo homem é atraído, pode a cada dia dar os pequenos passos na vida com evolução moral e espiritual; e assim aprender o Verdadeiro Amor.

          É o Amor que convida e exorta, propondo sentimentos e atitudes, sugeridos também pelo Salmo 83:  "Subi, irmãos, ascendei. Cultivai, no vosso coração o profundo desejo de subir sempre ( 83, 6). Escutai as Escrituras que convidam:  "Vinde, subamos à Montanha do Senhor, à Casa do Deus de Jacob" (Is 2, 3), que fez os nossos pés rápidos como os de um cervo e nos indicou como meta um lugar sublime, para que, seguindo as suas veredas, saíssemos vencedores (Sl 17, 33).

          “Apressemo-nos, então, todos como está escrito enquanto não tivermos encontrado, na unidade da fé, o rosto de Deus, e reconhecendo-O, não tivermos alcançado o homem perfeito na maturidade completa da idade de Cristo ( Ef 4, 13)” (A  Escada  do  Paraíso).

          E no Amor que se esconde o mistério da oração, do conhecimento pessoal de Jesus: uma oração simples, que toca o Coração do nosso Salvador. É assim que se abre o próprio coração, que se aprende de Nosso Senhor Jesus Cristo a  bondade, e o Seu amor. São João Clímaco definia a oração como uma profunda amizade com Deus. O amigo sente necessidade de estar com o seu amigo. Desta forma a saudade de se estar com Deus é preenchida com satisfação pela Oração. A Oração é o oxigênio da alma. É o perfume do Espírito Santo, que perpassa nossas mentes e corações. Orai sem cessar” dizia São Paulo. Por conseguinte, utilizemos esta “escalada” da fé, da esperança e da caridade; assim alcançaremos a verdadeira vida cristã que vale à pena ser vivida.

 

 

 

Amém Aleluia!

 

 

Dom Farès Maakaroun,

Arcebispo da Igreja Católica Apostólica Greco-Melquita no Brasil.

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