Ο ΛΟΓΟΣ ΓΑΡ Ο ΤΟΥ ΣΤΑΥΡΟΥ ΜΩΡΙΑ ΕΣΤΙΝ

Intervenção no Sínodo Igrejas Orientais Católicas em Roma - 2010

2010-10-25 15:36

Estimados Amigos,

Monsenhores e Padres,

 

«Fica conosco, Senhor, pois a noite vai caindo» ( Lc 24,29).

 

Em primeiro lugar, quero partilhar com todos umas das minhas intervenções aqui no sínodo:

Os desafios que os cristãos devem enfrentar

 

1. Relações particulares com o judaísmo

2. Relações com os muçulmanos

3. Contribuição dos cristãos para a sociedade

 

          Ler os sinais dos tempos, para orientar o comportamento cristão, no Oriente e no Ocidente.

 

          Não existem estratégias para definir o comportamento cristão relevante, que sejam eficazes, se não estivermos dispostos ao trabalho árduo, necessário para sermos Santos. O exemplo vivo de um de nós, que tenha tido a verdadeira e justificada experiência de amor com Nosso Senhor Jesus Cristo, vale o ideal de comunhão e de testemunho cristão. Ou encontramos o caminho da Santidade agora, ou nossas mentes e corações continuarão desejando sempre mais.

 

          Santos sim, porque precisamos nos lembrar de que nunca possuiremos o Céu neste mundo, mas ai de nós se não olharmos para o alto, se não nos mantivermos fiéis aos princípios cristãos e mantivermos viva nossa fé na Providência Divina, o que nos distingue de meros administradores de finanças no mundo. Homens que almejam a Santidade não arrefecem diante do trabalho, preservam a fé e assim raciocinam melhor diante das dificuldades e das diversidades religiosas, não permitindo que a aparente complexidade delas, os leve a desviar pela tangente do Caminho, da Verdade e da Vida.

 

          Daí a necessidade de sermos Santos. Se não formos Santos, não haverá diferença entre nós e meros governantes do mundo, que disputam território e população entre si, ou se lançam vorazmente sobre recursos materiais, absolutamente esquecidos e desinteressados da Providência Divina. Sermos Santos é fundamental para que o testemunho cristão seja autêntico e credível. "Que todos sejam um só, para que o mundo creia" (Jo 17, 21).

          A Santidade eclesial nasce do compromisso sério em alcançarmos um conhecimento profundo das Verdades da nossa Fé e da aspiração por nossa purificação moral. Por isso, ao buscar o diálogo inter-religioso, sem que nos transformemos em meros ativistas políticos, faz-se necessário que o nosso agir seja o da autêntica vida Santa, motivado apenas pela Luz do Espírito Santo, e desinteressado dos louvores e da vanglória. Somente assim, poderemos nos expor aos olhares interpelantes de nossos irmãos de outra Fé.

 

          Sabemos que Deus vem através dos homens Santos, nos quais Ele se revela, quando são dignos de experimentar o Amor de Deus. Instituições eclesiais, programas pastorais e outras estratégias de ação, desprovidas da Luz e do Calor de Homens Santos, não são essenciais, em qualquer parte do Mundo.

 

          Definitivamente, deve ser e será a própria Santidade a indicar, em toda a sua clareza, beleza e grandeza, a solução de todos os nossos conflitos internos e externos, seja no mundo cristão ou não cristão. Estamos preocupados, com razão, com que nossas estruturas eclesiais, no Oriente e no Ocidente, se desenvolvam de modo adequado, frente à situação atual de nosso mundo dessacralizado. Frente a tal estado de coisas, demanda-se Santidade, dentro e fora da Igreja, e Homens Santos, verdadeiramente capazes de dar a vida e chegar às últimas conseqüências para salvar seu próximo, zelosos das almas e do seu destino final.

 

          Hoje, o que se vê é a falta de Espírito Santo, de criatividade Santa e de coragem para percorrer os caminhos da Verdade, do Amor e do Perdão. O que se vê é a falta de Santos homens na Igreja, que anunciem o engano de uma cultura orientada totalmente para coisas materiais, imediatas, e tangíveis; de Santos homens no mundo, que tornem Deus presente, agindo em constante disponibilidade para amar e perdoar, fazendo prevalecer o Amor e o Perdão no mundo; de Santos homens, dentro da Igreja Universal, que muito amem, ao ponto de perceber o pouco trabalho que lhes resta, em virtude do quanto pode auxiliar a intercessão divina, quando há Santidade nas mentes e nos corações dos homens.

 

          Somente uma Igreja de Homens Santos pode estar ao serviço da caridade, como expressão fundamental e irrenunciável da fé na vida da Igreja. Como disse São Paulo, "O amor de Cristo nos impulsiona" (2 Cor 5, 14), e este é o princípio primeiro das obras caritativas.

 

          Por fim, todas as louváveis iniciativas para a plena unidade de todos os cristãos e não cristãos convergem para a nossa Santidade, único terreno fértil sobre o qual a comunhão pode crescer e maturar.

 

          Nossas boas intenções de comunhão e testemunho do Bem e do Bom a todos os filhos de Abraão, concretizam-se na maior obra sobrenatural de todas: Homens Santos e Santos Homens, zelando e testemunhando a Paz e a Felicidade neste Mundo.

 

          Afinal, Muçulmanos cultuam o mesmo Deus Todo-Poderoso dos judeus e dos cristãos, a deidade islâmica conhecida como Alá é o mesmo Ser Supremo a quem os judeus e nós, cristãos, dirigimos nossas preces. O mundo inteiro não está em convulsão por um conflito religioso, já que o Ser Supremo é o mesmo para todos nós. O mundo inteiro está em convulsão por causa da ausência de Homens Santos no mundo. Afinal, como é que poderíamos estar em conflito religioso, se todos nós declaramos que não há outra Divindade, senão Deus?

 

          Basta notar que o Islã não possui um Senhor diferente do nosso, apenas o designando pelo nome de Alá, e nem tampouco poderia sugerir que judeus e cristãos adorem um falso deus. Alá é a palavra árabe para o Deus monoteísta comum e evidencia a ligação do Islã com judeus e conosco, cristãos. O próprio Alcorão, em diversas passagens, insiste na idéia de que seu Deus é o mesmo Deus do Judaísmo e do Cristianismo. A afirmação mais direta é aquela em que os muçulmanos são exortados a dizer aos judeus e cristãos “cremos no que nos foi revelado e no que foi revelado a vós; nosso Deus e vosso Deus são Um e a Ele nos submetemos” (Sura 29:46). O verso pode ser interpretado ainda como “Nosso Alá e vosso Alá são Um”.

 

          Essa concepção denota que as três religiões têm em comum o Deus de Abraão, o que nos torna a todos, em essência, Irmãos, que devem e podem viver em Santidade. Em hebraico, a palavra para designar Deus é Elohim, um cognato de Alá. Em aramaico, o idioma de Jesus, Deus é Allaha. Em maltês – a única língua de origem árabe que é falada por uma maioria católica – Deus é Alla. E mais, a maior parte dos judeus e cristãos que falam o árabe costuma usar a palavra Allah para se referir a Deus. O Velho e o Novo Testamento em árabe empregam a mesma palavra. Na versão árabe da Bíblia, por exemplo, Jesus é denominado o filho de Alá.

 

          Portanto, Irmãos Cristãos, Mulçumanos, Judeus, Homens e Mulheres do Oriente ao Ocidente, por mais hostis que sejam as relações políticas entre nós todos, os filhos de Abraão, devemos admitir que existe um vínculo real entre nós, e que a observância atenta e o reconhecimento desse vínculo podem servir de base para nosso diálogo inter-religioso.

 

          Homens Santos e Santos Homens estão desprovidos de extremis-mos e de violência. Homens Santos e Santos Homens são obra sobrenatural que Deus reservou a cada filho de Abraão. Ninguém pode ser um filho de Abraão sem possuir o espírito Santo e o coração de um Santo.

 

          Não é de sábios nem de grandes doutores que precisamos, sobretudo na hora atual, mas sim de Santos. Um Santo é um cálice cheio compreensão, que vem do alto e que transborda sobre todas as almas sua super plenitude.

Procuramos soluções para viver o Céu na Terra, então estamos procurando almas capazes de ajudar, que não tenham a mente, senão para pensar em Deus e o coração para amá-Lo. Estamos procurando, e haveremos de encontrar, os Verdadeiros Homens Santos, os Santos Homens.

 

 

 

Assim Seja.

 

 

+ Dom Farès Maakaroun, 

Arcebispo da Igreja Católica Apostólica Greco-Melquita no Brasil.

Contato vocacional

Rev. Arquimandrita Theodoro

misereor72@hotmail.com

Av. Santo Antônio, 150 CA - Barra Funda - CEP 18.114-345
Caixa Postal 5 (CEP 18.110-972) - Votorantim/São Paulo (Brasil)

+55 (15) 32435837

Pesquisar no site

"Adoramos Vossa cruz, Senhor, e glorificamos vossa Santa Ressurreição" © 2008 Todos os direitos reservados.

Criar loja online