São Paulo, 13 de Junho de 2010.
Homilia: Minha Viagem ao Líbano 2010.
Oh! como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos! (Sl 132, 1).
«Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para estar convosco para sempre. Este Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, Esse ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito» (Jo 14, 16)
Amados filhos e filhas,
Hoje, quero partilhar com todos os motivos de minha viagem ao Líbano, para reunir-me no Sínodo dos Bispos Orientais.
Para que nós Bispos nos reunimos num Sínodo?
Antes de tudo, para fortificarmos nossas convicções de Cristãos. Trata-se, sem dúvida, não tanto de refazer uma exposição de dados e fatos já conhecidos e bem estabelecidos como se principiássemos de zero, pois a Igreja vive deles há 2.010 anos, mas sobretudo de encontrar a linguagem de Fé e as motivações profundas que explicam nosso Amor permanente pela Igreja, de maneira que cada um de nós, ao término desse encontro, possamos convencer os homens de hoje, nas situações concretas em que vivem, que Só o Amor Basta, para responder as tendências que se espalham no mundo de hoje, dentro e fora da Igreja Una e Santa.
Nosso Sínodo é um instrumento de resposta a todos os problemas, simplesmente, pela e na evidência do que significa seguir a Cristo incondicionalmente.
Bispos, Homens de Boa Vontade, despojados de seus próprios interesses, deduzindo os verdadeiros valores Cristãos, que sem os quais mergulharíamos cegamente num beco sem saída, e seriamos incapazes de ajudar os cristãos a formarem uma consciência bem esclarecida e firme, segundo os princípios cristãos que em primeiro lugar nós Bispos devemos seguir.
Sobretudo, neste atual Sínodo, investigaremos, de maneira realista como permitir reencontrarmos Amor e o Perdão, entre todos nós, e vivê-los, apesar de todas as nossas diferenças e condições, e principalmente conseguirmos irradiá-los à nossa volta, de pessoa a pessoa e ao retornarmos para os nossos lugares de origem. Seguros por ter podido viver, de maneira evidente, a honra para a Nossa Igreja.
Nosso Sínodo é como um sinal de unidade de ação e comunhão de almas, em estreita união de sentimentos e propósitos com todos os fiéis desta porção da Igreja Universal.
Em Nosso Sínodo, com a intercessão da Mãe de Deus, imploramos do Senhor a alegria do amor e a plenitude de toda a consolação para qualquer dificuldade humana.
Em Nosso Sínodo devemos tornar mais fácil o acordo das opiniões, ao menos, no que se referir aos pontos essenciais da doutrina cristã (amar a Deus sobre todas as coisas e ao Próximo como a si mesmo) e em relação ao modo de agir na nossa vida dentro da Igreja.
Meus amados filhos, minhas amadas filhas, a experiência do Nosso Sínodo possui em si alguma coisa de Sagrado; um pouco do Mistério da Igreja. Vive-se a realidade da Igreja, sua realidade em nossas particularidades, sua realidade difundida, na palavra de Deus difundida.
Vive-se tudo isto. Vive-se escutando os Bispos e o Patriarca e todas as intervenções.Vive-se as experiências das Igrejas locais, experiências muito diversas, muitas vezes, experiências muito dolorosas, ou outras experiências difíceis. E assim, de todas as intervenções emerge um quadro, uma visão: uma visão de Amor e Perdão. Mas não é somente uma visão, no sentido descritivo, é ao mesmo tempo, uma experiência do Mistério da experiência religiosa, que permanece em nossos corações e mentes.
Nosso Sínodo é uma possibilidade real de uma nova riqueza que nos é dada, a cada um de nós: a experiência da Igreja que é povo de Deus; sim, povo de Deus a caminho, mas, sendo povo de Deus, é ao mesmo tempo o corpo de Cristo. Portanto, é um mistério. Afinal, com as palavras do Sínodo Niceno-Constantinopolitano: “Creio no Espírito Santo, que é Senhor e dá a vida” proclamamos a nossa fé; fé que nasce da nossa experiência apostólica.
“Todos aqueles que são movidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus” (Rm8, 14).
E, alguém pode perguntar: “ O que o Bispo Dom Farès nos deixa em sua ausência, antes de partir a sua Experiência Divina e Humana?”
Minhas Palavras de Amor, desejando que as vivam em seus dias, e são essas: A minha certeza de que o Amor entre os homens ainda é possível, quando se baseia no reconhecimento da paternidade de Deus e na boa Vontade de todos os homens. A minha esperança de que o sentido da responsabilidade espiritual e moral, que deve assumir cada um de nós, tornarão possíveis a criação de um mundo melhor na liberdade, no perdão e na felicidade.
Como homem cujo ministério esgota-se no significado de ser um Amigo de Cristo na terra, despeço-me com as palavras daquele que represento, do próprio Jesus Cristo: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou.” (Jo 14, 27).
Amados meus, oremos constantemente, em todos os momentos, para que alcancemospaz em nossas vidas, paz em conforto e companhia, paz em alegria, paz em todas as diversas situações diárias.
Que o som de nossas orações, de todos aqueles que crêem em Deus, cristãos e não-cristãos, façam emergir, do profundo de nosso ser, os nossos recursos morais e espirituais, para assim, unirmo-nos e praticarmos o Bem, com isso faremos descer do céu aquela Pazinatingível, alcançada por nossos esforços humanos. Contribuindo definitivamente para a Obra de Deus.
Amém, Aleluia!
† Dom Farès Maakaroun,
Arcebispo da Igreja Católica Apostólica Greco-Melquita no Brasil.
Rev. Arquimandrita Theodoro
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