03 de Maio de 2011
Evitar-se-ão, pois, os juízos temerários sobre o Próximo: Condenar os nossos irmãos por simples aparências e por motivos mais ou menos fúteis, sem conhecer a fundo as suas intenções, é usurpar o Direito de Deus, Único Juiz supremo dos vivos e dos mortos, é cometer injustiça para com o Próximo, pois se condena sem ser ouvido, nem conhecidos os motivos secretos das suas ações, e as mais das vezes sofre o império de preconceitos ou de qualquer paixão. A Justiça e a Caridade exigem, ao contrário, que nos abstenhamos de julgar e interpretemos o mais favoravelmente possível as ações do Próximo.
Com mais força de razão nos devemos abster de maledicência, que manifesta aos outros as faltas ou defeitos secretos do Próximo. Sejam muito embora reais esses defeitos; mas, enquanto não são do domínio público, não temos direito de os revelar. Se o fazemos:
l) contristamos o Próximo que, ao ver-se atingido na sua reputação, sofre com isso tanto mais quanto mais aprecia a honra;
2) abatemo-lo na estima dos seus semelhantes;
3) enfraquecemos a autoridade, o critério de que ele tem necessidade para gerir os seus negócios ou exercer legítima influência, e deste modo causamos muitas vezes prejuízos quase irreparáveis.
Nem se diga que aquele, cujas faltas se divulgam, já não tem direito à fama; conserva-o, enquanto as faltas não são públicas; e, seja como for, não se deve perder de vista a Palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Quem de vós estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra" (Jo.8:7). É de notar que os Santos são extremamente misericordiosos, e buscam todos os meios de salvaguardar a reputação de seus irmãos. Imitemo-los.
E deste modo mais seguros estaremos de evitar a calúnia que, por meio de imputações mentirosas, acusa o Próximo de faltas que ele não cometeu. O que é seguramente injustiça, tanto mais grave quanto é certo que muitas vezes é inspirada pela maldade ou pela inveja.
E que de males não acarreta! Demasiado bem acolhida, infelizmente, pela malícia, circula rapidamente de boca em boca, destrói a reputação e a autoridade daqueles que dela são vítimas, e por vezes lhes causa prejuízo considerável até mesmo nos negócios temporais.
É, pois, dever estrito reparar as maledicências e as calúnias. É difícil, sem dúvida, pois custa retratar-se, e, depois, a retratação, por sincera que seja, não faz mais que paliar a injustiça cometida: A mentira, ainda quando se desdiz, deixa muitas vezes vestígios indeléveis. Isso, porém, não é razão para não reparar a injustiça cometida; é dever até aplicar-se a isso com tanto mais energia e constância quanto maior é o mal. Mas a dificuldade duma reparação deve-nos levar a abstermo-nos de tudo quanto de perto ou de longe nos pudesse fazer cair nesse grave defeito.
Eis o motivo por que as pessoas, que aspiram à perfeição, cultivam não somente a Justiça, senão também a Caridade que, fazendo-nos ver a Deus no Próximo, nos leva a evitar solicitamente tudo quanto o possa contristar.
† dom Farès Maakaroun
Arcebispo da Igreja Católica Apostólica Greco-Melquita no Brasil
Rev. Arquimandrita Theodoro
Av. Santo Antônio, 150 CA - Barra Funda - CEP 18.114-345+55 (15) 32435837