Ο ΛΟΓΟΣ ΓΑΡ Ο ΤΟΥ ΣΤΑΥΡΟΥ ΜΩΡΙΑ ΕΣΤΙΝ

18 de Dezembro de 2008

2008-12-18 00:00

São Paulo, 18 de Dezembro de 2008

 

Celebro, nesta data 42 anos da minha vida Sacerdotal e 13 anos da minha vida Episcopal!

 

Pedro e os primeiros companheiros confiaram na Palavra de Cristo e lançaram as redes. “Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe” (Lc. 5,6).

“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre” (Heb 13, 8).

 

Amados filhos e Amadas filhas,

 

       Em 42 anos de vida consagrada ao serviço de Deus, consequen-temente na incansável contribuição para saciar a sede do meu próximo, tentei jamais comportar-me como um pessimista e conformista, que nada tem de homem que consagrou sua vida para que nenhuma coisa, nem ninguém possa separá-lo do Amor De Deus.

 

       Desde sempre, pensei e continuo pensando, que adianta fazer algo para melhorar o mundo, comecei e recomeço diariamente, por melhorar a minha própria vida. Melhorar minha própria vida, significa oferecer por Amor, e com Amor, todas as minhas intenções e ações, Àquilo que não se Vê, não se Toca, mas que exige de mim, aderência total na evidência de sua existência.

 

       Afinal, Crer em Deus é matéria de prova racional, e não matéria de fé. Não tenho o direito de acreditar, nem admitir, que Deus não existe,  muito menos que esteja morto.

 

       Melhorando diariamente minha vida, transformo-me num homem otimista, de fé, que acredita que o mundo não está perdido, que os corações não são duros, porque o Amor transforma o mal em Bem, o feio em Belo, o superficial em Profundo.

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito” (Rm 12,2).

  

       Sendo assim, 42 anos de Amor à Deus, estão sendo suficientes para eu experimentar o que Ele preparou, e dispõem, todos os dias para mim. Ainda assim, com absoluta certeza, eu jamais teria conseguido imaginar os caminhos que Ele me conduz: “os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou” (1Cor 2, 9).

 

     Uma dessas experiências inimagináveis, que o Senhor Todo Poderoso e Piedoso preparou, foi minha vinda ao Brasil.

     Para aquela época, minhas conversas pessoais com Ele assumiam a forma de verdadeiros interrogatórios: “O que o Senhor estava querendo de mim? O que me preparava? Por quê? Para quê? Como suportaria tantas diferenças? Até quando minha Fé seria colocada à prova? Até quando eu corresponderia com êxito o que o Senhor esperava de mim? Consagrei minha vida para ti Senhor, sou teu apóstolo, por que existem momentos que pareço cego?”

 

     Aos poucos, fui compreendendo que Cristo é vivo, um pensamento constante, permissivo ao meu envolvimento para intuir e conhecer, num instante a Grandeza da Misericórdia Divina.

       Com a importância dessa experiência individual de amor, com o Cristo, Reconhecia, e experimentava, quase que diariamente, que no fim do túnel há, sim, uma luz (Mt 5, 14): para os que foram luz! Para os que viveram como filhos da luz! (1Ts 5, 5) . Mas há, também, “choro e ranger de dentes” (Mt 25,30) para quem insiste em viver na escuridão do pecado. Há um Deus justo e misericordioso. Um pai que acolhe e um juiz severo. Uma sentença que absolve: “Vinde, benditos” (Mt 25,34), e outra que condena: “Apartai-vos, malditos” (Mt 25,41). 

       Amados filhos e amadas filhas, dizem que com o passar dos anos, a inspiração Divina nas escolhas e ações de um sacerdote, aumentam proporcionalmente a sua amplitude de evolução no Amor, e na honestidade de suas orações.

       Venho experimentando a veracidade dessas palavras, na prática constante, e no convencimento trilhado, de que não posso forçar ou impor ninguém à conversão ao Amor Verdadeiro. Porém, posso salvar alguém da falta de convencimento, que a melhor conversão é a que consiste em ajudar as pessoas a se amarem umas às outras, cada vez mais. Nós, que somos pecadores, que fomos criados para ser filhos de Deus, temos o dever de nos ajudarmos a chegar o mais perto possível de Deus, com o nosso amor mútuo.

 

Experimenta o Amor! És homem; uma inspiração Divina sopra em seu ser! Homem crente, perfeito, idealmente humano, não és Deus, mas carregas a imagem e semelhança do Divino dentro de ti! Experimenta! És homem!

Oh, Meu Coração de Homem! Repleto de razões de Amor! Vivendo para precisar de Deus, da comunhão com o Sagrado, e da identificação com Ele!

“O coração tem razões que a razão não conhece.” Pascal

  

       Bem queridos filhos e filhas, o que desumaniza, e acovarda o homem é o mal. E o mal, é o vazio do sentido e significado de Amor na vida de alguém.

Na minha vida sacerdotal e episcopal, tenho conseguido afasta-me continuamente do mal, me forçado ao envolvimento com todos, ainda que com dificuldades, sigo caminhando, sigo amando, sigo perdoando em nome de Deus.

 

       E seguindo Caminhando, Amando e Perdoando, revelou-se a mim, o fato de que a “imagem” do bem está por aí, em volta, em todos os lugares, reflexos de bem em todos os espelhos do mundo, nos inconstantes e solitários exemplos. Porém, o autêntico propósito de amor, o efetivo procedimento em amor, e a realização constante no amor em obras Boas para Deus são frágeis.Como o apóstolo Paulo, faz lembrar: "Não me entendo no meu procedimento! Não realizo o bem que quero e faço o mal que odeio".

 

       Oh, Meu Coração de Homem! Que finalmente compreendeu que, para eu ter tudo, foi preciso dar tudo; para eu alcançar o alto, será preciso estar convencido de meu último lugar, aqui embaixo; para eu aproximar-me da perfeição, é preciso reconhecer e confessar a minha própria infâmia; com o desejo de chamar a atenção do Divino, sempre é necessário destruir o meu amor-próprio, por demais humano, raiz única que pode aprisionar todo Homem em suas restrições e limitações do mundo, impedindo de alcançar a liberdade para Amar e ser Amado.  Afinal, Cristo é o filho de Deus, e ensina o caminho da humildade e do amor. “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste” (Mt 5, 48)“Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito abolir-se-á !( Cor 13, 10)”.

 

       Amados filhos e filhas, nossa Santa Madre Igreja diz: “Pelo ministério ordenado, especialmente dos Bispos e dos que estão unidos aos Bispos, a presença de Cristo como chefe da Igreja se torna visível no meio da comunidade dos fiéis. Segundo a bela expressão de Santo Inácio de Antioquia, o Bispo é "typos tou Patros") como a imagem viva de Deus Pai”.

 

       O ensinamento da Santa Madre Igreja, remete às Santas palavras do Apóstolo São Paulo: “Em verdade, todo pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sabe compadecer-se dos que estão na ignorância e no erro, porque também ele está cercado de fraqueza. Por isso, ele deve oferecer sacrifícios tanto pelos próprios pecados, quanto pelos pecados do povo. Ninguém usurpa para si esta honra senão o que é chamado por Deus” (Heb 5, 1 – 4).

 

      Sendo assim, mais do que perfeito e justo que eu ofereça, uma vez mais, minha promessa solene à Deus de que:Amarei até morrer de Amor! Perdoarei até morrer de Perdoar!

 

        Não tenho outro dever além deste: Amar e Perdoar de joelhos, esta vida engolida, a cada instante, pela morte.

“Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder”  (At. 1, 7).

 

       Passados esses 42 anos de vida sacerdotal, compreendo que a tarefa de imitar o Cristo, praticar seu Amor Perfeito, é árdua, eu que sou somente humano, porém cheio de vontade de amar e ser amado, não posso desistir.

       Em muitos momentos, percebo-me cego para viver como Aquele que foi simultaneamente homem e Deus. E alguém que é homem como eu sou, um franzino homem do Oriente, feioso na aparência, mortal como todos, submetido às várias misérias, quero morrer demonstrando que a nossa natureza, por mais que seja infeliz e inferior, é, contudo, capaz de alcançar, pela mão de Maria, a mulher Predestinada, o Poder absoluto do Amor. 

 

     Filhos meus, todos esses anos de vida sacerdotal e episcopal, serviram para construir minha única certeza de que: Deus desceu até nós e fez-se homem; o homem deve elevar-se até Ele e fazer-se Deus: fora deste percurso não há nada a não ser o espinheiro mesquinho das coisas e dos prazeres do mundo superficial, chamado de vida moderna, sem culpa e sem compromisso com os próprios atos pelos bípedes porcos, e de vazio de existência, de nada, de mal pelos Santos.

 

       E posso lhes garantir, filhos e filhas bem amados, que é com essa única certeza, que seguirei amando e perdoando até morrer do Perdão e de Amor!

 

 

Dom Farès Maakaroun
Arcebispo da Igreja Greco Melquita Católica do Brasil.

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