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"Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não extingais o Espírito" 1 Ts 5, 17ss |
O preceito do Apóstolo: “Orai sem cessar” (1 Ts 5, 17). – Os monges do Oriente sempre se esforçaram por viver e compreender as diversas aplicações do preceito da oração incessante. Eles jamais duvidaram que a oração contínua seja uma obrigação, e por tanto que a mesma seja possível. Porém as interpretações do “sem cessar” foram diversas em cada grupo.
Os messalianos (hereges radicais) assumiam tais palavras ao pé da letra e rejeitavam de unir a oração propriamente dita toda obra profana, compreendendo o trabalho, que em sua interpretação interrompia a oração. Também ingênua era a solução dos acemitas, que procuravam de alcançar a oração contínua, mas como comunidade, assim que sob tal objetivo era preciso que uma parte da comunidade estivesse presente na igreja e recitasse os ofícios, enquanto a outra se ocupava com o trabalho e outra descansava. A justa interpretação deste versículo encontra-se em Orígenes: “Ora sem parar aquele que une a oração às obras necessárias e as obras a oração”. Tal doutrina se tornará comum e se encontrará no famoso “ora et labora” do monaquismo beneditino. Evidentemente podem-se também dispensar os termos, como já fez S. Basílio. Porque diante do tribunal de Deus nós seremos julgados segundo as nossas boas ou más obras, o primeiro dever do cristão é de “prosperar na obra do Senhor”. Neste contexto, a oração é uma das “obras” mais importantes, opus divinum.
Teoricamente a questão pode ser considerada como solucionada. Porém há uma condição que Basílio propõe para que uma obra conserve o seu valor espiritual: urge uma boa disposição interior, em grego: “diáthesis agathé”. Tal disposição se nutre de orações explicitas. Eis porque, para realizar boas obras, urge o zelo por aumentar a prática da oração.
Sempre na preocupação de uma oração constante, se exige dos monges a fidelidade às horas canônicas e à “regra de oração” estabelecida com o padre espiritual. Certos monges praticavam o ofício dos salmos enquanto trabalhavam. Sobre o ofício das orações jaculatórias, foi introduzido muito cedo. Todos estes conselhos tinham como objetivo permitir ao monge de adquirir o “estado de oração”.
Enquanto no Ocidente os autores mais recentes preferem a expressão “estados místicos”, “oração infusa” de alguma duração, aquela do “estado de oração”, no Oriente a palavra “katástasis” será empregada num sentido mais amplo para indicar, como explica Cassiano, o estado da alma fixada em Deus graças a uma constante lembrança Dele. O estado da oração, orationis status, é por tanto uma disposição habitual, natural, que de qualquer modo, merece de por si o nome de oração, além dos atos que produz mais ou menos freqüentemente. É uma oração implícita, é o “estado do coração”, o “estado de perfeição”... “Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo” (1 Ts 5, 18).
(O Monaquismo segundo a tradição do Oriente cristão - T. Špidlík)
Rev. Arquimandrita Theodoro
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