Ο ΛΟΓΟΣ ΓΑΡ Ο ΤΟΥ ΣΤΑΥΡΟΥ ΜΩΡΙΑ ΕΣΤΙΝ

A Correção Fraterna

As “epitimía” – punições monásticas

O tema fundamental do Novo Testamento é a salvação do pecador apresentada como salvação comunitária: a comunidade pode por tanto intervir para corrigir o pecador. O evangelho exorta no caso de um pecado incorrigível a recorrer à Igreja como comunidade (cf Mt 18, 15-17). Tal exortação não ficou como letra morta na Igreja dos primórdios e nos mosteiros cenobíticos, onde não somente tal conselho era fielmente aplicado, mas onde foi institucionalizado sob formas previdentes de punições canônicas. Mais tarde recorreu-se à justiça civil para intervir contra os monges rebeldes.

Outra coisa era a situação dos eremitas. Eles evitavam julgar uns aos outros, e se no fim fossem obrigados à admoestação, preferiam fazer secretamente e com humildade, como nos mostra um apoftegma de Abas Amon, que foi impulsionado pela assembléia a repreender publicamente um irmão que havia deixado entrar uma mulher na sua cela. O mesmo Abas escondeu tal mulher sob uma grande talha para que o irmão não fosse acusado e admoestou àquele que o denunciou, dizendo ao irmão culpado sob alguma palavra de exortação ao arrependimento.

Ao contrário na comunidade de Pacômio se impunha uma disciplina mais militar. Se no inicio as punições eram deixadas à discrição pessoal do superior, logo foram institucionalizadas até os mínimos detalhes. Distinguem-se as acusações, a punição, a excomunhão por algum dia ou por um tempo indeterminado, até que não fosse seguro o arrependimento e a correção. O excomungado vivia somente de pão e água e poderia ser axibatado. Diante dos bispos reunidos em Panópolis, Pacômio foi acusado de exercitar o seu carisma de juízo de modo muito cruel. Mas não foi o único a ter um punho duro contra aqueles contestadores à regra. Tal costume foi estabelecido nos mosteiros egípcios e descrito por Cassiano.

Nas comunidades basilianas, a disciplina penal era mais humana. O superior era convidado a agir com os seus monges “como uma mãe que cuida ternamente os seus filhos”. Mas a correção fraterna é considerada como um exercício necessário da caridade. José de Volokolamsk cita como exemplo o bem-aventurado Sáva de Tversk, modelo de doçura, mas que sabia também usar o seu bastão e que ficava na porta da igreja para vigiar melhor àqueles que ali entravam. Aqueles que não obedeciam a regra os mandavam embora e os condenava à prisão. Neste tema Basílio, mais humano, é sem dúvida mais prático: para a prisão era a porta do mosteiro, que mandava embora aqueles que não queriam corrigir-se de suas culpas. Se um é sempre agitado, “este deve ser corrigido ou também afastado, para que não aconteça o que está escrito: “Não sabeis que um pouco de fermento levada a massa toda?” (I Cor 5, 6).

As punições contra as culpas graves dos monges foram sancionadas canonicamente pelos Concílios (de Nicéia, Cartago, Calcedônia) e retomadas no Código de Justiniano. Na Idade Média assiste-se ao desenvolvimento dos livros penitenciais, contendo longas listas de transgressões com as punições respectivas a serem impostas ao penitente.

A mais antiga destas prescrições penitenciais remontam ao início do séc. VII e atribui-se e S. Colombano.

Também entre as obras atribuídas a Teodoro Studita há uma coletânea de “epitimía”. Autêntica ou não, testifica de todo modo que desde o tempo de Teodoro existia um ritual muito preciso que servia para proteger a regra. O mesmo Teodoro indica as quatro penitências que eram mais freqüentemente empregadas: a excomunhão, a xerofagia (jejum), a parástasis (permanecer em pé) e as metânias (prostrações ou inclinações). A excomunhão era reservada somente às culpas graves. Mas se pode ainda encontrar algumas sanções ainda mais duras: a prisão e os ferros que, conforme a regra monástica, deviam servir mas só nos casos excepcionais. Tais culpas que exigiam as sanções da “epitimía”, Teodoro elenca faltas no trabalho, distrações durante o ofício, desobediências críticas, o quebrar um objeto, o furto e o trabalho dominical” (Cardeal Tomas Spidlik – O Monaquismo segundo a tradição do Oriente cristão).

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